Frutas e legumes nas pinturas italianas

Como indica o nome, a natureza-morta é a representação de objetos inanimados na pintura, fotografia e outras formas de arte visual. Contam os historiadores que ela emergiu como um gênero artístico independente em meados do século XVI, apesar de outros exemplares existirem na pintura desde a Idade Média.

Isso ocorreu por meio das obras de artistas como Giuseppe Arcimboldo. É impossível não mencionar neste artigo as obras cheias de simbolismo, e consideradas por muitos como esquisitas, do célebre pintor italiano. Arcimboldo é conhecido por usar frutas e legumes para compor retratos. Aliás, foram essas figuras que alimentaram o desenvolvimento da natureza-morta no período.


Assim como todas as formas de arte, a natureza-morta tem valor em si mesma. Mas as pinturas de objetos inanimados logo teriam também um valor científico. Inclusive, essa qualidade está presente em sua história.

Na passagem para o século XVII, a representação documental passa a ser exigida pelas ciências naturais. Esse fenômeno influencia uma arte que almeja representar os objetos e a natureza exatamente como eles são observados no mundo. Foi dessa fonte que bebeu outro artista italiano, o excelente Giovanni Stanchi.

Pouco se sabe sobre ele, mas é provável que o artista seja o responsável por nos ajudar a visualizar um processo muito curioso: a domesticação de frutas e legumes. Os alimentos que comemos hoje não se parecem muito com os que a humanidade conheceu séculos atrás.

O ser humano alterou as características das plantas por meio da agricultura. É por isso que hoje elas tendem a ser mais abundantes em partes comestíveis, por exemplo.

Isso não se deve apenas aos processos mais recentes, como alimentos geneticamente modificados ou transgênicos. O simples ato de escolher as sementes daquelas frutas e legumes que mais nos agradaram foi responsável por muitas das diferenças que percebemos.

De volta a Giovanni Stanchi, um de seus quadros exemplifica essa mudança ao retratar uma melancia. Se compararmos as frutas e legumes selvagens presentes nessa e em outras de suas pinturas, podemos ver como eles mudaram ao longo do tempo.


Na parte inferior direita do quadro de Stanchi está uma melancia selvagem. Ela é bem diferente das melancias que comemos hoje em dia, certo? Isso porque o exemplar do quadro não teve as mesmas influências humanas das frutas atuais.

Aliás, a melancia veio originalmente da África. Somente mais tarde ela prosperou em climas quentes como o Oriente Médio e o sul da Europa, devido a domesticação. A fruta só foi se tornar comum em hortas e mercados europeus por volta de 1600. Com o tempo, criou-se melancias para ter a cor vermelha brilhante e com o interior carnudo que conhecemos hoje.

Quem diria que a arte poderia ter algo para nos ensinar sobre a evolução de frutas e legumes? A verdade é que toda forma de cultura tem muito a nos ensinar. A gastronomia não é diferente. Por isso estamos sempre escrevendo artigos como este para nossos clientes. Curta nossa página no Facebook e nos siga no Instagram, assim você não perde nenhuma de nossas atualizações.

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